Em Frozen II, Elsa (Taryn Szpilman), Anna (Érika Menezes), Kristoff (Raphael Rossatto) e Olaf (Fábio Porchat) embarcam numa jornada de descobertas com uma mensagem potente e subjetiva de respeito e cuidado com o meio-ambiente.

Dirigido pela dupla Chris Buck e Jennifer Lee, a mesma responsável pelo primeiro filme, Frozen II volta no tempo, numa cena introdutória em flashback, onde Elsa e Anna, ainda crianças, ouvem uma história de seu pai, Rei Agnarr (Eduardo Borgerth), sobre o dia que, durante uma inesperada batalha contra o povo da floresta, fora salvo por alguém pouco antes da morte iminente. Seis anos após os eventos do primeiro filme, a rainha Elsa passa a ouvir uma voz que parece chamá-la para algum lugar desconhecido. A jornada para descobrir a verdade de um antigo mistério de Arendelle começa.

Numa atmosfera mais sombria e adulta em comparação a seu antecessor, a narrativa de Frozen II é pautada na cumplicidade e união das duas irmãs e nas demonstrações de amizade entre o grupo. Olaf, como era de se imaginar, assume de vez o lugar de alívio cômico e mais que isso, é responsável por dar ritmo e conduzir uma história que por vezes passa perto de ceder ao ostracismo. Kristoff segue com seu jeito “sem jeito”, confuso e atrapalhado, sem nenhum tato com Anna. Sven é um ótimo escada com suas reações às atitudes de seus amigos e tem seus “15 minutos” de fama merecidos num dueto afinado com Kristoff numa das inúmeras canções ao longo da animação.

É exatamente na música que temos um destoar entre os dois filmes. Se no primeiro explodiu o estrondoso hit “Let it go”, não há exatamente um refrão marcante ao longo dos 103 minutos do filme. Há, sim, um ótimo trabalho de composição de Chistophe Beck, extremamente harmônico e simultaneamente importante para a construção da narrativa, mas longe de permanecer na cabeça da legião de fãs por muito tempo.

O ritmo narrativo sucinta maiores cuidados. É possível pensar numa fórmula: retire Olaf, o que sobra? Possivelmente, uma grande porcentagem de tédio. Os primeiros e terceiro atos dão a sensação de pressa, atolados num segundo ato gorduroso de andamento em marcha lenta e que se sustenta em personagens secundários que geram dinâmica e interesse da audiência. Outro ponto a se destacar: a falta de surpresas. Com o mínimo de atenção, é possível decifrar toda a história e descobrir todos os segredos muito antes dos personagens, o que gera uma certa frustração, pois o roteiro, por vezes, valoriza muito o plot-twist (acontecimentos inesperados que podem surpreender o público) em situações bem evidentes. Mesmo sendo um produto com o público-alvo majoritariamente infantil, alguns momentos beiram um infantilismo narrativo superado pelas crianças dos dias de hoje.

Frozen II passa pelo posicionamento e empoderamento feminino. Elsa é cada vez mais dona de si mesma, uma mulher capaz de manipular seu poder como nunca e que passa por transformações físicas e psicológicas impostas por suas ações ao longo da jornada. Anna é a caricatura perfeita da resiliência, personagem que não se deixa abalar pela falta de poderes mágicos e que sempre dá um jeito, por vezes mais intelectual, para cumprir seus objetivos na jornada, seja para proteger a sua irmã ou superar seus próprios desafios.

Talvez o legado mais importante deixado pelas irmãs Elsa e Anna transcenda o audiovisual: devemos olhar para a natureza e o meio-ambiente com outros olhos. O reino de Arendelle esconde uma mentira que perdura há quase 35 anos e é o motivo pelo qual a floresta próxima ao castelo é inacessível e isolada por uma intensa e grossa camada de neblina. Representada por espíritos elementais e personificada pelo Povo do Sol (Yelena, Honeymaren, Ryder, entre outros), protetores da floresta, a decisão do Rei Runeard, antagonista de Frozen II, é a chave para entendermos até que ponto a humanidade pode colocar tudo a perder em troca de poder e interesses escusos.

O filme estreia no dia 02 de janeiro de 2020 no Brasil.

Filme assistido em cabine de imprensa à convite da Espaço Z / Disney.